14 de jun de 2012

Vivendo e Aprendendo


Cara, eu nasci em abril de 1964. Então, quando eu nasci já era ditadura militar. Logo, pra nós crianças, era normal cantar o hino à bandeira em pé no pátio do colégio com a mão no coração. Pra nós era assim, nunca tivemos outra vida.

Passei 18 anos da minha vida sem ver nenhuma eleição para presidente. Os caras falavam "agora é o Garrastazu Médice", e ok. A gente voltava pra pular mãe da rua e nem tchum. "Agora é o Ernesto Geisel", e ok, voltávamos pra rua pra jogar bets (aqui em São Paulo chama taco).

Meu pai tinha um adesivo colado no carro "Brasil, ame-o ou deixe-o", que para mim fazia sentido. Se não amasse o Brasil deveria mesmo mudar de país. O adesivo do posto Shell dizia isso. O adesivo era legal, quem enchesse o tanque ganhava. A gente também ganhava um perdigãozinho amarelo de chaveiro se comprasse os produtos Perdigão, tinha um que era mulher porque tinha sapatinho de salto alto. Ganhávamos muitos brindes, bonequinhos das marcas Brasilinos. Também vinha anel dentro dos sacos de pipoca doce.

Foi só quando eu fiz 19 anos e já trabalhava da rua 7 de Abril, no centro de São Paulo, que me liguei que eu deveria poder votar. Caiu uma aspirina gigante na minha cabeça e eu despertei para a vida.

E hoje, se você olhar uma foto do movimento das Diretas Já pode saber de uma coisa: uma dessas cabecinhas é minha. Lá estive exigindo o que hoje parece ser tão normal e natural: votar para Presidente. E foi muito legal.

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