12 de jun de 2012

O empréstimo da Espanha, visto por Portugal


Irineu Tolentino

Ontem, publiquei aqui o artigo  "A Espanha e os € 100 bilhões" analisados os efeitos do pedido de socorro. 

Ao lado da quantia solicitada, da situação da Espanha e da Europa, tomei como referencial o ponto de vista do jornal El Mundo, na matéria intitulada "Las diferencias del rescate español con los de Grecia, Irlanda y Portugal".  O periódico procurou minimizar a situação fazendo um comparativo com as demais economias deterioradas, entre as quais, Portugal. A despeito dos argumentos apresentados, mantivemos o entendimento de que a situação da Espanha, embora em menor proporção, é grave.

Hoje, para examinar a questão sob outro ponto de vista - e para "ouvir uma parte contrária" - pareceu-me conveniente trazer à baila o posicionamento do jornal português Económico (na grafia de lá), que afirma "Bruxelas garante que Espanha vai pagar os mesmos juros que Portugal ".


"A Comissão Europeia foi obrigada 
a afastar suspeitas de um resgate 
com termos mais favoráveis para Espanha 
do que para Portugal ou Irlanda."


A despeito do empréstimo espanhol (que será concedido, independentemente do valor), não há como a Europa "aliviar" a situação. Isso fugiria de qualquer regra básica de coesão de grupo. Se algumas nações tivessem mais benefícios que outras não haveria porque se falar em "Bloco Econômico" ou "Comunidade Europeia".

Assim, seja examinando o tema do ponto de vista espanhol ou português (ainda que daqui do Brasil), a situação é a mesma: o PIIGS continua sendo o PIIGS.

Infografia Jornal I
A situação da Europa, e, por conseguinte, do mundo, é preocupante. As bolsas voltarão a sentir solavancos num futuro próximo. Vai doer um pouco; poderá até ser o fim do Euro (se os líderes europeus não conseguirem contornar os problemas nos próximos três meses, segundo George Soros), mas, certamente, não será o fim do mundo.

No final, essa crise será superada como se superou a 1a e a 2a Guerra Mundiais, a Crise de 1929 e tantos outros percalços que surgiram pelo caminho; porém, num tempo bem maior que o previsto e deixando sequelas. 

Será preciso muita cautela com os investimentos.

Se o Brasil, integrante dos BRICS, está tendo um desempenho aquém do esperado, imagine o resto do mundo...

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