11 de jul de 2012

Imprevisibilidade econômica e investimentos


Luis Nassif

Apesar de todas as medidas adotadas pelo Ministério da Fazenda, a produção industrial patina. Qual a razão dos empresários não investirem? 

Ponto central é garantia de demanda futura. Ou seja, precisam acreditar que a demanda continuará crescente nos próximos anos para investir.

Para entender melhor os problemas, vamos dividir a demanda em vários subgrupos:

1. Demanda pública

Investimentos do PAC, das estatais e dos estados: não há falta de recursos financeiros, há lentidão na implementação de projetos.


"(...) um pouco de previsibilidade 
na política econômica 
ajudaria nos planos de investimento."
 

Algumas questões demandam apenas tempo:

a) No caso do PAC, problemas com falta de projetos básicos, licenciamentos ambientais, capacidade instalada das construtoras e, mais recentemente, a perda de ritmo nos investimentos em transportes, com o afastamento do polêmico Luiz Pagot do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes). É questão de tempo para pegar no breu.

b) Investimento da Petrobras: exigência de conteúdo nacional para plataformas petrolíferas, pela Petrobras, dará enorme gás à indústria. Mas também leva tempo para a capacitação. Mais aporte de recursos (via BNDES ou reajuste dos preços de combustíveis) permitirá incluir mais projetos em seu plano de investimento.

c) Estados: o BNDES disponibilizou linhas gordas de financiamento para estados. Esbarra-se, mais uma vez, na carência de projetos, demandando tempo.

Problemas que estão aparecendo: No caso do Minha Casa, Minha Vida, um excessivo encarecimento das unidades, produzido pela especulação imobiliária em um mercado aquecido. No caso da exploração de petróleo, mercado superaquecido e atrasos nas entregas de equipamentos estrangeiros e nacionais.

2. Demanda privada:

Para efeitos didáticos, vamos dividir em dois grupos:

a) Demanda global de famílias e empresas:

Com níveis historicamente baixos de desemprego, não há nada que indique nova rodada de aumento substancial em emprego e renda. Portanto, o consumo continuará dependendo do crédito, limitado pelo comprometimento de renda das famílias. Os próximos meses serão dedicados a equacionar a questão do endividamento familiar. Uma boa safra poderá melhor a renda agrícola, rebatendo no consumo.

b) Demanda de exportáveis (produtos para exportação ou que competem com importados): 

Para que o produto brasileiro possa se tornar mais competitivo, a curto prazo, necessita melhorar a relação de preços com o importado. As maneiras rápidas são desvalorização cambial e tributos sobre insumos importados.

A taxa do dólar saltou para R$ 2,00 mas não passa confiança nos exportadores.

Muitos têm fechado negócios com o dólar a R$ 1,70, por não haver confiança na sua manutenção em R$ 2,00. Em algum ponto do futuro, o BC terá que abrir do jogo de cena da flutuação e definir um patamar mínimo para o dólar.

O segundo ponto é a questão das cadeias produtivas. Toda a ação da Fazenda visa produtos finais - carros, geladeiras, eletroeletrônicos etc. Esta semana a Fazenda decidiu desonerar insumos, para beneficiar o produto final.

Pergunto: que fornecedor interno se disporá a investir na substituição de insumos importados, sem garantia de proteção de mercado? Em suma, um pouco de previsibilidade na política econômica ajudaria nos planos de investimento.

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