25 de mai de 2012

Os desafios da manufatura do século 21


Luis Nassif

Como será a manufatura no século 21?

Essa talvez seja a questão que vale uma nação. Quem acertar, pega o bonde do desenvolvimento. Quem errar, marca passo.

O próprio Estados Unidos, com suas inúmeras think tank esbarrou em um erro monumental de análise. Definiu o que seriam as indústrias de ponta, concentrou nelas o esforço estratégico e permitiu que as indústrias da geração anterior – automobilística, eletroeletrônica etc. – se transferissem para a Ásia.

O resultado foi a perda do dinamismo do mercado interno e a enorme crise que se sucedeu ao fim da bolha de crédito. Mesmo assim, o enigma continua à espera de quem o desvende.
Discussão relevante ocorreu na 2a Conferência de Inovação Brasil-EUA, “Parcerias para a prosperidade no século 21”, promoção conjunta da ABDI (Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial), MBC (Movimento Brasil Competitivo) e Compete (Council on Competitiveness).

O ponto central da mesa foi discutir se os dois países estão preparados para liderar a manufatura do século 21, se existem condições objetivas de parceria estratégica. E também sobre o papel da Universidade e do sistema educacional científico nessa batalha.

A conclusão da mesa é que onde houver mão-de-obra intensiva, a China é absoluta. Mas países com tecnologia avançada têm condições de manter um setor manufatureiro robusto.

David Arkless, presidente de uma empresa de Recursos Humanos com mais de 4 milhões de funcionários, estimou que cerca de 250 milhões de pessoas vivem fora de seus países de origem por causa do trabalho. Especialmente após a grande crise de 2008.

Arkless rebate a visão de que os EUA se tornaram a única e verdadeira economia de serviços do mundo. Pesquisa recente de sua empresa estimou que o setor de manufaturas nos EUA deve crescer consistentemente nos próximos 15 anos, mas com um desenho diferente da manufatura tradicional.

Opinião diversa foi apresentada pela General Eletric, através de Mark Little, vice-presidente senior. Nos áureos tempos da financeirização, com Jack Welch no comando, abriu uma série infindável de frentes. Agora, voltou a focalizar, desfazendo-se de inúmeras participações fora do seu foco.

Uma das reavaliações da GE foi sobre a importância de fazer a manufatura onde a tecnologia é desenvolvida, motivo que a levou a investir em fábricas em regiões pobres dos EUA. Certamente, a opinião da GE tem muito mais peso do que a de um head hunter.

Outra prioridade foi criar um centro de pesquisas de classe mundial no Brasil, similar ao que têm nos EUA, Alemanha e Índia. Vantagens brasileiras: crescimento, clientes significativos (Petrobras, Vale, Embraer) e sistemas universitários mais fortes.

Segundo Little, a internet acelerou de maneira inédita a inovação. Nos próximos 20 anos serão criadas mais coisas do que a soma de tudo o que foi criado na história, prevê a GE.

Nesse cenário, prevê Jan Simek, reitor da Universidade do Tenessee, as universidades terão papel fundamental para o futuro da manufatura. A parceria da sua universidade com a Dupont foi essencial para desenvolver um biocombustível à base de etanol.

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