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31 de jul. de 2013

Eike, CVM & Bovespa

A leniência da CVM e da Bovespa (sem excluir a de outros órgãos e de agentes do Estado) em relação ao caso Eike Batista, contribuiu de forma efetiva para a potencialização de prejuízos aos acionistas minoritários, bem como à imagem do Brasil no exterior.

É muito esquisito projetos de empresas como as do Eike, integrarem o índice Ibovespa estando ainda nas fraldas. Isso transmitia uma segurança inexistente aos investidores atraindo incautos.

A mensagem que se passou com o estouro da bolha é que os órgãos fiscalizadores não são eficientes e o Ibovespa não é sério.

16 de jul. de 2013

ERRATA: Eike Batista

Está bem! Errei feio na avaliação que fiz do Eike.

Diante dos últimos acontecimentos, e da provável quebra vindoura, não dá para "salvar" seu império apenas argumentando. Aliás, nem ele mesmo se esforça para fazer isso.

Mas, ainda assim, vale uma consideração razoável: Eike apostou no Brasil, fez grandes projetos, coisas que, de fato, condiziam com o "gigante pela própria natureza"; porém, a coisa não funfou.

Mas, hoje, nenhum setor econômico no Brasil está bem das pernas. Meses atrás, apostei no setor elétrico (tido como defensivo na bolsa, dada a baixa elasticidade da demanda). Comprei a Eletropaulo (ELPL4), que pagava ótimos dividendos, e esperei para ver ("buy and hold").  Pois bem, paguei R$ 38,00 por ação e hoje ela está R$ 6,xx.

A Ceming, Petrobrás, Usiminas, Vale, etc., também não funfaram. Quem ganhou dinheiro na bolsa nos últimos anos, via de regra, foi apenas quem fez trades curtos. Eu já fiz isso várias vezes, mas não gosto muito dessa prática.

De certa forma, ainda penso que o Eike estava certo em pensar grande para o Brasil. O problema é que o Brasil surpreendeu negativamente os investidores internos e externos, afugentando muitos da bolsa.

Economicamente falando, e de maneira geral, a coisa não anda bem. Creio que nosso país não fez o dever de casa e hoje perdemos em crescimento até mesmo para o México, que sequer integra o BRICS.

Essa leniência econômica generalizada, excesso de corrupção, baixos investimentos em infraestrutura e áreas "nobres" como mobilidade, educação, saúde e segurança, demora nas desonerações e desoneração em áreas inadequadas, acabaram por derrubar o Brasil.

Quem errou: Eike ou a política econômica do Brasil? Tenho cá comigo muitas dúvidas.

O Homem X caiu, mas não está só.

26 de jun. de 2013

Taxação de grandes fortunas

Não acho que rico deva pagar mais. Os cálculos de impostos, via de regra, são feitos à base de porcentagem, e não há nada mais proporcional do que ela para equacionar o que se ganha e o que se paga.

O problema é de má gestão de recursos e falta de visão estratégica.

Rico não é inimigo do Estado ou do povo por ser rico. É preciso desconstruir essa ideia.

Proposta da bancada do PT é golpe baixo.

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Folha de São Paulo:

Em resposta às ruas, bancada do PT apoiará proposta de taxação de grandes fortunas

CÁTIA SEABRA

DE BRASÍLIA

Após quatro horas e meia de reunião nesta terça-feira (25), a bancada do PT na Câmara decidiu anunciar apoio à proposta de taxação das grandes fortunas.
A iniciativa é uma tentativa de reaproximação do partido com os movimentos populares e uma reação à série de protestos que se espalharam pelo país nas últimas semanas.
"O empresariado também tem que ajudar com alguma coisa. Por que só os cofres públicos?", disse o líder do PT na Câmara, José Guimarães, frisando que essa é uma proposta da bancada.
O líder do PT defenderá publicamente a proposta na noite desta terça-feira, no plenário da Câmara.

1 de mar. de 2013

O Brasil fora dos BRICS

A despeito dos grandes esforços de Mantega, o Brasil não está conseguindo deslanchar.

O crescimento é inexpressivo. Estamos até mesmo atrás de países mergulhados na crise financeira global.

Com esse desempenho pífio, não dá mais para sustentar nossa posição nos BRICS.

Isso é muito triste e incompreensível, especialmente diante da proximidade da Copa e das Olímpiadas, mas trata-se de um fato.

Só posso atribuir isso (como já fiz aqui em oportunidade anterior), ao elevado nível de corrupção, impunidade e insegurança juridica.  Defendo, já de longa data, que a corrupção tem um preço direto e indireto igualmente altos para o país, e a conta chegou: ficamos para trás!

Os impasses gerados com a condenação dos mensaleiros (se perdem ou não o mandato), a posse de Genoíno, a de Renan Calheiros, o atraso e confusões nas obras da Copa, e uma série de outros fatores, subtraem do Brasil a seriedade necessária para alavancar o crescimento. E não vamos crescer e nem alçar vôos maiores, enquanto não fizermos as pazes com a moralidade e seriedade necessárias ao desenvolvimento.



14 de dez. de 2012

Os sinais de mudança econômica

Por Luis Nassif

Pequenas empresas paulistas estão sofrendo um assédio inimaginável, recebendo visitas de gerentes de bancos, oferecendo linhas de crédito baratas. Conta garantida a 2% de juros ao mês, descontos de duplicata a 0,9%.

A conversa com os gerentes é das mais instrutivas. Informam que orientação que receberam de suas respectivas diretorias é que juros baixos e competição bancária vieram para valer. E os bancos terão que se reinventar.

"O que está acontecendo com os gerentes de conta é processo similar ao que irá ocorrer em outros cantos da economia"

Não se trata mais de elaborações estratégicas da cabeça de um diretor de banco, mas a orientação que chegou na base, o gerente de conta.

Quando se compara a economia a um transatlântico – imagem cunhada há décadas pelo ex-Ministro Mário Henrique Simonsen – tinha-se na cabeça esse efeito-defasagem

A política econômica dá uma guinada radical. Há um tempo de ajuste em que, primeiro, os agentes econômicos precisam ser convencidos da sua irreversibilidade. Depois, um tempo para se ajustarem às novas regras, que passa por definir a nova estratégia e fazer a voz de comando chegar na ponta.

O que está acontecendo com os gerentes de conta é processo similar ao que irá ocorrer em outros cantos da economia.

Por exemplo, muitas cadeias produtivas trocaram fornecedores internos por produtos chineses. Nos últimos meses houve um desvalorização de mais de 20% no real, frente o dólar.

A volta ao fornecedor interno exigirá novos contatos, uma reorganização do sistema de compras, em muitos casos a busca de novos fornecedores, já que muitos dos anteriores desapareceram do mercado.

No caso das grandes empresas, a mudança do dólar trouxe problemas no fluxo de caixa. Aumentou as dívidas em dólares.

Há um tempo, portanto, para refazer o caixa e analisar os efeitos da mudança de câmbio tanto no mercado interno quanto no externo.

No campo do controle público ocorre a mesma coisa. A Lei de Transparência, obrigando todos os órgãos públicos (União, estados, municípios e autarquias) a darem publicidade a seus dados, é também um transatlântico que começou a se mover.

Alguns órgãos saem na frente, outros vacilam um pouco. Aí entra o Ministério Público exigindo o cumprimento da lei. Aos poucos, a sociedade civil criando formas de capturar e analisar os dados. E os novos parâmetros de fiscalização são montados, em cima dessa interação ONGs-MPs-TCs.

Faltam pontos para acelerar o processo.

O primeiro é avançar nas propostas de simplificações dos procedimentos fiscalizatórios, sem tirar sua eficácia. Por mais que ocorra um aprendizado na definição e implementação de projetos, ainda assim o ponto ótimo sempre ficará distante do ideal, graças ao emaranhado burocrático.

Outro - já enfatizado aqui – é a maneira como estão sendo apresentadas diversas isenções fiscais e trabalhistas.

Qualquer decisão de investimento tem que partir do peso das isenções no preço final do produto, mas também no prazo de permanência do benefício. É a maneira de estimar os resultados e planejar os investimentos.

11 de dez. de 2012

The Economist: "Demite, Dilma!"

A campanha promovida pela revista The Economist contra o ministro da Fazenda Guido Mantega parece-me um ponto fora da curva, na verdade, um claro nonsense.

A Economist deveria se ocupar com os problemas mais próximos de si mesma, como os da sua própria  terra.

A economia inglesa está de mal a pior, bem pior que a nossa. Se fosse o  caso de demissão por incompetência (já que a revista pretende, erroneamente, reduzir o tema dessa forma), o governo britânico é que deveria passar o facão no seu próprio alto escalão.

Vocês querem o Aécio, não é? Quem sabe? Vamos esperar para ver! Mas, de todo modo, deixe que nós resolvamos isso.

Enfim, não posso "curtir" sua postura The Economist!

Eu poderia até justificar isso em mais linhas, mas, para quê reinventar a roda se a economista Maria da Conceição Tavares, fez isso tão bem: Confira aqui!

14 de nov. de 2012

A hora de rever os incentivos aos automóveis


Por Luis Nassif

É hora de rever a política de incentivos à indústria automobilística. Não se pode continuar andando pelo mar dos incentivos sem uma bússola para se orientar.

O Ministério da Fazenda está se baseando em uma análise superficial sobre os ganhos para a economia com a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para automóveis. Compara-se a venda esperada com a nova venda, estimulada, e considera-se o diferencial como ganho.

Não é assim.

Entenda, primeiro, o que se considera engano na avaliação das perdas fiscais com a isenção.

Muitos analistas calculam a perda fiscal total como produto do total de veículos vendidos pelo imposto que deveria ter sido recolhido. Técnico do governo sustentam que a conta é incorreta porque, não fosse a isenção, seria muito menor a quantidade de veículos vendida.

Nem tanto ao céu, nem tanto ao mar.

A redução temporária do IPI tem efeito apenas de antecipação pontual de compra de veículos. No momento seguinte ao do fim da isenção, há uma queda nas vendas justamente devido ao efeito-antecipação.

No máximo, o ganho líquido estimado seria o da redução do prazo de troca do veículo. Ou seja, em vez de esperar 4 anos para trocar o veículo, o consumidor troca em 3 anos. Mas esse ganho ocorre apenas uma vez - durante o período de isenção. Depois não se repete mais, a não ser por outros fatores - como a melhoria de renda - que nada tem a ver com a isenção fiscal.

Não apenas isso.

No orçamento dos consumidores o automóvel compete com grande variedade de itens, de bens de consumo durável ao lazer. O dinheiro despendido em um automóvel novo foi desviado da compra de uma geladeira, de um computador, de uma moto, da renovação do guarda-roupas, bens de consumo que recolhem impostos.

Privilegiando exclusivamente o setor automobilístico, a Fazenda compromete a isonomia fiscal, ampliando as vendas de um setor em detrimento de todos os demais.

Nos anos 90, o Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo apresentou sugestões muito mais criativas, de estímulos à troca de veículos antigos por novos (reduzindo a poluição), de programas para a renovação de frotas etc.

No modelo atual, sem maiores contrapartidas, não estão claros os ganhos da economia.

Pode-se alegar que, ao estimular a venda de automóveis, o governo movimentou a cadeia produtiva, impedindo uma queda maior do PIB e, consequentemente, uma queda maior na arrecadação.

Mas não há dados comprovando esses ganhos, seja pelo efeito-substituição no próprio setor, seja pela competição com a venda de outros produtos.

Há que se repensar também o novo acordo automotivo.

O governo condicionou benefícios fiscais a um conjunto de exigências, um PPB (Processo Produtivo Básico) mais consistente - isto é, com mais etapas de produção no país -, o aumento das compras internas de autopeças e ganhos de eficiência.

É bom, mas é pouco, especialmente levando-se em conta o potencial do mercado brasileiro, em um mundo em crise. O que o Brasil pretende ser no futuro? Qual o nicho de mercado que pretende ocupar? Como tornar as inovações desenvolvidas por aqui ativos nacionais e não apenas das montadoras?

Está faltando um choque de capitalismo chinês no governo.

11 de out. de 2012

Bolha Imobiliária


Onde há fumaça, há fogo. 
Sinais de bolha imobiliária no Brasil são cada vez mais evidentes.


VALOR ECONÔMICO:  
FMI alerta para riscos da forte expansão do crédito

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O Fundo Monetário Internacional voltou a expressar preocupação ontem, na divulgação de seu Panorama Econômico Global, com o rápido avanço de crédito bancário e com a elevação do preço dos imóveis no Brasil e outras economias emergentes. "Nos quatro anos seguintes a 2007, os preços dos imóveis subiram perto de 100% acima da inflação nas maiores cidades do Brasil", diz o relatório. O Fundo também voltou a chamar atenção para o recente aumento da inadimplência bancária no país. E assinala que as empresas estão mais alavancadas, com dívidas que superam 100% de seu capital em ações.

20 de set. de 2012

O pouco efeito da Selic sobre o crédito

Por Luis Nassif

Há um enorme desconhecimento de senso mínimo de proporção na cobertura econômica.

Jornais de ontem informavam que a redução da taxa Selic – de 8% para 7,5% ao ano – não havia se refletido nas taxas do cheque especial (caiu de 8,03% para 8,01%) e empréstimo pessoal (de 5,39% para 5,37% ao mês).

Vamos a algumas contas básicas.
A redução da Selic foi de 0,5% ao ano.
0,5% ao ano significa 0,04% ao mês.

Seja redução de 0,04% ao mês ou 0,02% ao mês, a diferença é insignificante.

Esse é o ponto no qual venho batendo há tempos. É tão relevante a diferença entre a Selic e as taxas de mercado, que elevações ou reduções da taxa em nada impactam a demanda ou a formação de estoques.

Dias desses, o “professor de Deus”, Alexandre Schwartsman, escreveu longo artigo pretendendo tirar do Banco Central o mérito pela queda da inflação. Disse – com proficiência – que a Selic em nada interferiu na queda, que os efeitos vieram do exterior.

Pela primeira vez seguiu a lógica. E, seguindo a lógica, se deveria concluir que não foi a elevação da Selic quem produziu a redução da inflação a partir de 2011, mas o próprio mercado internacional, reduzindo o impacto das elevações das commodities.

Do lado da demanda, as taxas de juros influem de duas maneiras:
Encarecendo o crédito ao consumidor.
Aumentando o custo de manutenção de capital de giro pelas empresas.

Para ser eficaz, ambos os custos deveriam subir em nível tal que desestimulassem as operações. No caso do capital de giro, a redução poderia ocorrer devido ao aumento do custo do giro e também pela redução do nível de consumo. Se a Selic em nada interfere em ambos, do lado da demanda é inócua.

Muito mais eficazes foram as medidas prudenciais, regras inibidoras de financiamento e aumento do compulsório (a parcela dos depósitos bancários recolhidas ao Banco Central).

O impacto maior da redução da Selic se dá no campo do investimento.

Nos planos de investimento, os prazos são elásticos – em média 20 anos, especialmente em obras de infraestrutura.

Na hora de calcular a taxa de retorno, os investidores tomam como parâmetro a Selic. Se a taxa cai, significa que o investidor aceitará uma taxa de retorno menor. Aceitando, haverá um aumento no valor inicial do investimento.

Uma redução de 0,5% ponto na Selic, em um investimento de 20 anos de prazo, significará um aumento de 3,8% no valor do investimento – mantidas as demais variáveis. Se se analisar a queda total da Selic – de 12% para 7,5% - significou um aumento de 36% nos investimentos previstos em um plano de negócios.

A conta é simples:
Suponha uma taxa de retorno de 12% ao ano, um prazo de 20 anos e uma rentabilidade de (por hipótese) R$ 1.000/ano. Nessa hipótese, o investidor aceitaria pagar R$ 7.469,00 por uma rentabilidade de 12% ao ano.
Se a taxa de retorno cai para 7,5%, e o lucro continua em R$ 1.000,00, o valor do investimento subiria para R$ 10.195,00. Unicamente pelo efeito taxa de juros.

Do lado oposto, quando o BC aumentava a Selic, para conter a demanda, o efeito que conseguia era inverso: desestimulava a oferta, aumentando o descompasso entre oferta e demanda.

6 de set. de 2012

A lenta recuperação da economia


Por Luis Nassif

Para duas instituições representativas da indústria – a CNI (Confederação Nacional da Indústria) e o IEDI (Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial) – o setor começa a mostrar sinais de recuperação.

A CNI aposta em retomada de crescimento nos próximos meses, conforme avaliação do seu gerente executivo, Flávio Castelo Branco. A pesquisa Indicadores Industriais revelou uma queda no faturamento real do setor, de 2,4% em julho em relação a junho. Mas comprou um aumento na UCI (Utilização da Capacidade Instalada) de 80,7% para 81,6%.

Houve aumento de 0,2% do emprego – terceiro seguido -, embora as horas trabalhada tenham caído 0,3%. Ambas as mudanças apontam para estabilização, interrompendo o processo de queda. A aposta na melhoria de desempenho se deve à queda dos juros, à desoneração de bens duráveis e dos encargos sobre a folha de salários em vários setores.

"Muito dificilmente o PIB chegará no final do ano crescendo a 4 ou 4,5% na ponta, como prevê o Ministro da Fazenda Guido Mantega. Conseguiu-se interromper a queda, mas o ritmo da recuperação ainda é uma incógnita"

Dois dos 19 setores pesquisados tiveram comportamento negativo: metalurgia básica e borracha e plástico. No primeiro caso, queda de 5,5% no faturamento e de 2,3% na produção em relação a julho de 2011. NO segundo caso, queda de 1% no faturamento.

Mesmo recuperando-se no segundo semestre, o panorama do ano não é animador. Segundo o IEDI, há a possibilidade da recuperação não compensar as perdas do primeiro semestre, fechando o ano com queda. No primeiro semestre, a queda foi de 3,7%.

Assim, há que se analisar os resultados na “margem”, na ponta. Justamente os aumentos na produção de bens de capital e na utilização de capacidade interna. O IEDI entendeu que investimentos podem estar se recuperando assim como as compras internas dentro da indústria. Saliente-se o fato de que12 segmentos apresentaram resultado positivo em julho.

Mesmo assim, os dados do ano assustam: 

“Ainda na comparação com julho de 2011, a produção de bens de capital caiu 9,1% em julho deste ano, assim como recuaram as produções de bens duráveis (–2,7%), de bens semi e não duráveis (–2,3%) e de bens intermediários (–1,7%). No acumulado dos sete primeiros meses do ano, as quedas de produção são muito significativas em bens de capital (–12,0%), em bens duráveis (–8,4%) e em bens intermediários (–2,5%). A produção de bens de consumo semi e não duráveis também caiu no acumulado do ano até julho, mas em menor proporção (–0,5%)”.

Numa outra frente importante para a definição do PIB (Produto Interno Bruto), a construção civil, o mercado continua aquecido. O Índice Nacional da Construção Civil (Sinapi) de agosto, medido pelo IBGE, apresentou alta de 5,49% nos últimos doze meses.

O Rio de Janeiro registrou o maior custo por metro quadrado do país, com R$ 951,86. Esse índice serve de parâmetro para a fixação de custos de execução de obras públicas.

Muito dificilmente o PIB chegará no final do ano crescendo a 4 ou 4,5% na ponta, como prevê o Ministro da Fazenda Guido Mantega. Conseguiu-se interromper a queda, mas o ritmo da recuperação ainda é uma incógnita.

Como dizia o ex-Ministro Mário Henrique Simonsen, produzir queda na atividade econômica é como puxar um saco com uma corda; retomar o crescimento é como empurrar o saco com a corda.

3 de set. de 2012

Bolha Imobiliária?


O preço dos imóveis tem me preocupado bastante.

Sabemos que há um "déficit de moradias" imenso, mas há que se considerar que esse déficit não é porque faltam imóveis no mercado, faltam é imóveis disponíveis para venda a preços justos.

Há muitas pessoas com diversos imóveis e muitas pessoas sem imóvel nenhum.
 
Com a especulação provocada pelo aquecimento do setor imobiliário muitas pessoas  aventuraram-se a adquirir imóveis para especular, e ainda continuam fazendo isso. Outras, que pretendem simplesmente morar, entram perigosamente num financiamento de longo prazo sob o pretexto de juros baixo; mas esquecem-se que juros baixos sobre preços inflados é o mesmo que juros altos sobre preços baixos. Não importa para onde o dinheiro está indo (se para o banco ou para as construtoras), mas de onde ele está saído, e, no caso, é do bolso do consumidor que, cada vez mais, compromete sua renda futura.

Não é possível um cidadão da classe média, extremamente vulnerável à crise, meter-se num financiamento para comprar um imóvel de 300 ou 500 mil. Hoje, paga-se cerca de meio milhão numa casa ou apartamento sem que haja lastro do consumidor e da própria Economia. Para agravar ainda mais a situação, financia-se a longo prazo carros, móveis e viagens, comprometendo-se seriamente a renda  futura.

Em havendo um aprofundamento da crise, os imóveis mantidos em carteira serão desovados no mercado, derrubando os preços; ao passo que, quem comprou para morar, estará pagando caro por algo que valerá  menos do que o preço adquirido.

Se eu não estiver enganado (e, sinceramente, espero que esteja), será um Deus-nos-acuda.

29 de ago. de 2012

Incertezas do Negócio


Recentemente a MPX de Eike Batista sofreu uma derrota na Justiça do Chile que causou sérios prejuízos não só à empresa, mas ao próprio Chile. Ambos foram perdedores.

Trata-se de um investimento de US$ 5 bilhões que já estava paralisado há mais de ano por conta dessa confusa disputa judicial ( link).

Mas isso não acontece só no Chile. Aqui no Brasil coisas semelhantes são muito comuns dadas as dificuldades e burocracias para se obter licenciamentos ambientais. Essas incertezas afastam investidores que poderiam produzir riquezas no país.

Temos, por exemplo, o caso da usina de Belo Monte, que, malgrado o volume de investimentos, já virou palhaçada: ora está liberada, ora não.

Não é possível bilhões de dólares e empregos ficarem paralisados por conta de uma decisão judicial posterior à permissão do investimento. O país deixa de ser sério, tornando os investimento um jogo de dados.

Está na hora de pensarmos numa espécie de "Seguro Jurídico" de responsabilidade do Executivo. Como está hoje, o Executivo atrai os investidores e, depois, aparece o Judiciário, do nada, e bloqueia tudo.

É óbvio que não  estou criticando o trabalho técnico do Judiciário, que, seguramente, tem que continuar, o que critico é a ordem das coisas: primeiro se investe, depois se discute  se o empreendimento é lícito? Isso não pode acontecer. As concessões e alvarás deveriam passar pelo crivo da legalidade ouvindo-se todas as  partes envolvidas, para, só então, serem emitidos. Uma vez emitidos, não poderiam mais ser anulados, sob pena de o próprio Executivo, que chamou os investidores, ter que arcar com os prejuízos que as incertezas do país causaram. Aí sim, teríamos um terreno mais  fértil para novos e importantes negócios.

Um empresário não pode investir bilhões e ficar à mercê da sorte.

21 de ago. de 2012

Como Wall Street manipulou ações de tecnologia


Por Luis Nassif

Ontem, a valorização dos seus papéis transformou a Apple na empresa mais valorizada da história: US$ 662,50 bilhões, superando os US$ 620,58 bi da Microsoft no pregão do dia 30 de dezembro de 1999. Hoje em dia, a Microsoft vale US$ 258 bi.

O fato traz à memória a lambança que foi o mercado de tecnologia no final dos anos 90. Uma grossa cobertura da mídia norte-americana criou miragens inacreditáveis. Gurus milagrosos, capazes de transformar pó em ouro, eram incensados. Muitos deles vieram ao Brasil para explicar seu poder mágico de identificar os grandes lançamentos.

Tudo fazia parte de um enorme esbulho dos acionistas, que ainda não entrou no inventário dos golpes de mercado com derivativos.

Em 10 de março de 2.000, sob o título “A exuberância irracional e os bancos” analisei um episódio sintomático.

A Goldman Sachs, em análise feita naqueles dias, havia recomendado a compra de ações da Microsoft, que já vinham em queda desde dezembro.

Por aqueles dias, a União Europeia havia instaurado inquérito contra a empresa, acusando-a de práticas monopolistas. Chegava ao fim o arcabouço tecnológico e jurídico que permitiu a Microsoft crescer durante décadas, entrando em sistemas operacionais, bancos de dados, softwares de rede, games etc.

No artigo, reproduzi análises do leitor Cleber Resende.

Lembrava ele:

“Alguém em sã consciência pode sugerir que uma empresa que já vale US$ 400 bilhões poderá valer ainda mais?", perguntava ele.

Em 1998 a Microsoft faturou US$ 12 bilhões. Em 99, com todo o frisson causado pelo lançamento do Windows 98, US$ 14 bilhões. Ela teria que ter um lucro anual (lucro, não faturamento) de pelo menos US$ 40 bilhões, para valer o que valia por aqueles dias. No primeiro trimestre de 2012, seu lucro foi de US$ 5,11 bilhões.

(…) A sua especialidade é o mercado domiciliar e os pequenos escritórios. Quando sai para outros segmentos, a história tem sido outra. Em certos nichos, como o dos videogames, os computadores perderam feio para os consoles japoneses.

Posteriormente, a Microsoft foi bem sucedida no mercado de games.

Continuava a análise:

A sua penetração no mercado empresarial, em que lança agora o Windows 2000, não é das mais fortes. Até hoje o NT não conseguiu o desempenho dos sistemas Unix, e empresas como a Oracle continuam dominando amplamente o universo dos provedores de Internet.

A estratégia de casar as aplicações em desktops individuais com a rede produziu uma barafunda infernal em seus sistemas. O resultado foi a criação de programas dez vezes maiores que os dos concorrentes para executar as mesmas tarefas.

Pela primeira vez a Microsoft está entrando em um território em que já estão empresas tecnologicamente dinâmicas e consolidadas. E no seu próprio território a tendência será o acirramento da concorrência, pelo surgimento de sistemas abertos e de programas gratuitos e mais funcionais.

Provavelmente o banco tinha em carteira papéis da Microsoft. Despejando-os no mercado, as cotações cairiam mais ainda. Providenciou então uma análise favorável, para poder passar o mico para terceiros.

15 de ago. de 2012

A qualidade dos serviços bancários


por Luis Nassif

Ontem o Protest, da Maria Inês Dolci, organizou seminário e apresentou sua pesquisa sobre produtos bancários.

A pesquisa consultou 5.095 consumidores entre outubro e novembro de 2011. Constatou a fidelização do cliente ao banco em que mantem sua conta corrente; o fato da maioria dos clientes não saber o quanto paga de tarifas bancárias; e o fato de que a tarifa básica em geral é mais cara do que a cesta de serviços mais caras dos bancos.

Mediei uma mesa redonda sobre o tema, que reservou algumas surpresas.

"...o sistema ainda padece de muitas deficiências, apontadas na pesquisa. E aí fica claro que investimento feito em tecnologia não foi acompanhado por investimento similar em recursos humanos."

Nos anos 80 inaugurei o chamado jornalismo de serviços, criando a seção "Seu Dinheiro", no Jornal da Tarde e, depois, a "Dinheiro Vivo", na Folha. Naquele período, de inflação elevada, o grande serviço prestado era informar o cliente sobre as armadilhas embutidas nas contas do crédito e da aplicação.

O quadro hoje é outro - embora ainda se tenha muito a avançar. Nos últimos anos, o Banco Central obrigou à padronização nas formas de informar os juros. Obrigou também a padronização dos serviços bancários, permitindo a comparação entre produtos de bancos diferentes. Também destinou parte da fiscalização para fiscalizar as relações dos bancos com seus clientes.

De seu lado, a Febraban (Federação Brasileira dos Bancos) criou um código de conduta e um sistema de autorregulação, que inclui até penalizações dos infratores. Mas há um longo caminho para se avançar.

Aliás, foi surpreendente a autocrítica de Gustavo Marrone, diretor de autorregulação da Febraban.

Identificou na pesquisa da Protest o reconhecimento do consumidor sobre a estrutura operacional dos bancos brasileiros, das mais avançadas do mundo por conta do período inflacionário. No entanto - salientou Marrone - o sistema ainda padece de muitas deficiências, apontadas na pesquisa. E aí fica claro que investimento feito em tecnologia não foi acompanhado por investimento similar em recursos humanos.

Um dos princípios fundamentais do banco politicamente correto deve ser o de oferecer produtos simples e adequadas a cada consumidor e só ofertar aquilo que o consumidor necessita.

Marrone reconhece as taxas elevadíssimas do cheque especial e do cartão de crédito. Por isso mesmo, diz ele, é para situações de absoluta emergência, de dois, três dias no máximo. Se o cliente está mais do que esse período no cheque especial, é responsabilidade do gerente aconselhá-lo e oferecer linha de crédito mais adequada e barata.

Em relação à conta corrente, diz ele, a lei diz que não se deve pagar nenhum centavo. Trata-se de uma obrigação básica do banco. Assim como oferecer pacotes padronizados de serviços. Mas reconhece haver falta de transparência nesses pacotes padronizados, gerando problemas de preços.

Marrone mencionou pesquisa recente de Gesner de Oliveira - ex-presidente do CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), atestando que existe competição no setor financeiro.

Pela sua explanação, Gesner foi mais realista que o rei. Marrone admite que competição deixa muito a desejar e o trabalho de Gesner não trouxe nenhuma ideia do que é necessário para melhorar o ambiente competitivo.

23 de jul. de 2012

Imposto sobre grandes fortunas




Engraçado, já temos uma das maiores  cargas tributárias do mundo e o governo, "pretendendo equilibrar as coisas", fazendo com que ricos paguem mais, pensa logo em tributar as grandes fortunas.

Há nisso um divórcio entre o discurso e o objetivo. A base percentual é o que há de mais proporcional a que podemos chegar. Aliás, matematicamente, é o estado da arte da proporção. A mecânica desse cálculo, por si só, atende ao ideal de "quem pode mais, paga mais", que realmente é correto.

Blá blá blá  à parte, o governo pretende mesmo é aumentar a carga tributária e está tentando tirar de onde pode, o que constitui a mais pura e sórdida sacanagem tributária: é injusta, redundante e desnecessária.

Tudo bem, esse meu argumento não cola mesmo e é voto vencido, qualquer um sabe disso. Mas se o governo quisesse mesmo fazer ricos pagarem mais, de forma moral e tributariamente aceitável, por que, ao invés de aumentar a carga, não reduz a do pobre?  Se a intenção fosse nobre mesmo (coisa que não acredito), faria assim. Mas, ao que parece, a voracidade tributária está mesmo é camuflada sob um argumento incompatível com a idéia proposta. Tenho até a impressão de que, quando éramos colônia de Portugal, pagávamos menos...

Se a idéia passar, e isso é possível, no fim todo mundo vai pagar mais, até mesmo os mais pobres.

16 de jul. de 2012

Sobre o fim do BRICS


Irineu Tolentino

Quando arrisquei-me a sustentar o fim do BRICS aqui no Em Tese, não foi ao acaso. Trata-se de uma constatação ictu oculi de que o mundo refluiu economicamente de maneira generalizada, criando potenciais de investimentos imensos em várias economias maduras, especialmente na Europa e EUA.

Cediço que em tais mercados o potencial de ganhos será muito menor do que nas economias em desenvolvimento, que abrem um leque maior  de opções. Porém, com democracia forte e funcionalidade das instituições públicas mais previsíveis, será natural a atratibilidade delas em relação aos investimentos no pós-crise. É que, diante do quadro hoje desenhado - e no qual pauto minha humilde análise - não me parece  que os grandes players globais trocarão o "certo" pelo "duvisoso".

O BRICS (que aqui rotulo de duvidoso por obra da conjuntura atual) desenvolver-se-á a reboque das economias principais. É óbvio que em economia  tudo é duvidoso, mas, também o é, que o capital é atraído primeiro pelas águas mais tranquilas.

Os países integrante do BRICS, não perderão o bonde do desenvolvimento econômico para sempre, mas, segundo o meu juízo, comportar-se-ão como os  chamados "micos da bolsa", ficando relegados a uma fase posterior. É nesse sentido que suponho o "fim" desse bloco: ele não será mais a locomotiva, apenas mais um vagão da economia.

O fator tempo na economia


Luis Nassif

Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland tem razão em afirmar que, agora, está se plantando o crescimento para 2013.

Um dos problemas mais intrigantes na análise econômica é entender a economia como uma realidade complexa - isto é, com muitos autores se influenciando mutuamente - na qual uma determinante fundamental é um personagem central chamado de Sr. Tempo.


"O que ocorre nesse primeiro período é atípico. Atendido o atraso, o mercado estará em um patamar mais alto, mas 
seu crescimento voltará a padrões normais."


Vamos conferir alguns exemplos de como o Sr. Tempo age, até para entender alguns problemas atuais da economia brasileira:

O impacto da inflexão nas vendas sobre a produção:

No setor A as vendas são de 100, os estoques de dois meses, são de 200.

Em fase de equilíbrio, o comerciante repõe mensalmente o que vendeu.Aí as vendas caem para 90. Ele precisa reduzir seus estoques para 180 (2x). Com isso sua reposição cai para 70 naquele mês (10 de redução de vendas, 20 de redução de estoques). Para cada 10 de queda na venda, as novas encomendas caem 30. O mesmo vale em fases de recuperação da economia. Se as vendas subirem de 70 para 80, a reposição será de 30 (10 do aumento de vendas, 20 de aumento de estoques).

O impacto de um crescimento menor sobre os investimentos:

Vamos conferir o que pode estar ocorrendo com a cadeia produtiva da construção civil. O setor tinha capacidade de produzir 100. O fornecedor de tijolos produzia 100, o de aço 100, o caminhoneiro que transportava a produção dava conta dos100 e assim por diante.Aí o setor começa a crescer, digamos, a 20%. Para não perder o bonde, no momento 4, todos precisam estar correndo a 173. Então toca comprar mais máquinas, caminhões, tornos etc. para preparar a produção para atender à demanda futura.

De repente, o crescimento cai para10% ao período. No 4o período, em lugar de 173, a produção efetiva estará em 159. Portanto, haverá uma capacidade excedente de 14, que não tem como se remunerar. Se estendermos para cinco momentos, a capacidade instalada estará em 207 e a produção em 174. Portanto a capacidade ociosa pulará para 33.

Ocorre que as empresas tomaram financiamento, compraram equipamento calculando que estariam vendendo 207. Com a queda do crescimento, mesmo crescendo, muitas delas se inviabilizaram. Com capacidade ociosa, deixam de adquirir novas máquinas, afetando o setor de máquinas e equipamentos. E assim por diante.

O mercado de consumo:

Há o acesso de novos consumidores ao mercado de consumo. Abrem-se as portas do crédito, depois de muitos anos fechada. No primeiro movimento há enorme salto de demanda reprimida. As vendas crescem mês a mês até que o atraso seja atendido.

O que ocorre nesse primeiro período é atípico. Atendido o atraso, o mercado estará em um patamar mais alto, mas seu crescimento voltará a padrões normais.

O efeito-defasagem funcionará a favor nos seguintes pontos:

Combinação de juros baixos e câmbio mais competitivo. Os efeitos sobre exportações aparecerão na plenitude no próximo ano:
  1. Safra agrícola robusta.
  2. Destravamento do investimento público.
  3. Aceleração das concessões

13 de jul. de 2012

O fim do BRICS


Irineu Tolentino

Apesar da redução histórica de juros na China ela apresentou uma queda no PIB que preocupou o mundo. É preciso esclarecer que essa redução de juros ainda não está contabilizada nesse PIB, pois não deu tempo dela refletir positivamente na economia. O próximo cálculo será "menos  preocupante". Mas, não podemos esquecer, a trajetória ainda é de queda.

Apesar disso, a presidente Dilma, vendo também a redução do PIB brasileiro (não obstante a redução sistemática dos juros e facilitação do crédito), antecipou-se e declarou que não é com o PIB que se mede uma nação. Tudo bem, concordo, mas também não se deve ignorar a sua queda, né?


"É preciso que os brasileiros fiquem atentos, 
cortem custos, evitem despesas, financiamentos de longo prazo, compras de supérfluos e fortaleçam suas reservas, pois as notícias que virão daqui para a frente não serão nada boas"


O fato é que, ao menos por ora, acabou a fase de crescimento. Esse negócio de PIIGS e BRICS também já era. O mundo hoje é um só, a economia está globalizada e todo mundo está mal das pernas. Acho até curioso que alguns analistas, e parte da imprensa brasileira, coloquem um zoom no Brasil criticando empresários ou o próprio governo pela queda do nosso PIB (apelidado dias atrás de "PIBinho"). Definitivamente, isso não é um problema exclusivo do Brasil, é global. E até que estamos resistindo bem. Não sentimos ainda os efeitos integrais do arrefecimento mundo afora, mas eles estão chegando.

É preciso que os brasileiros fiquem atentos, cortem custos, evitem despesas, financiamentos de longo prazo, compras de supérfluos e fortaleçam suas reservas, pois as notícias que virão daqui para a frente não serão nada boas.

"- Mas Irineu, se pararmos de consumir a crise será pior". Sim, será, mas como não podemos salvar o mundo (notem que a "poderosa" Europa não conseguiu salvar nem a Grécia), temos que tentar ao menos nos salvar. Isso ajudará o governo, pois serão menos bocas para se servirem dos programas sociais.

Quanto a essas notícias de que "agora é um bom momento para comprar imóveis, pois as taxas de juros estão baixando", esqueça! Não é um bom momento. Apesar dos juros "baixos" (não estão para a conjuntura atual), os preços dos imóveis estão muito acima do valor justo. Há sim uma bolha imobiliária no Brasil. Quem financiar imóveis agora está se metendo numa dívida de longo prazo e pagará um valor bem maior do que aquilo que vale. Com a agudização da crise, haverá queda nos preços e o saldo devedor tornará o imóvel financiado um "mico".

"- Ah, mas eu preciso morar em algum lugar. O que faço?". Se não puder evitar, se realmente precisar, pesquise, negocie, pechinche e pague o preço. Mas, se puder, evite. Comprar imóveis para investir, nem pensar cara pálida!

"- Posso trocar de carro?". Você não está me entendendo? A coisa vai ficar muito feia, o desemprego irá aumentar, os preços irão cair, quem fizer financiamentos (principalmente de longo prazo), ficará com um saldo devedor imcompatível com o valor do bem. Será que você precisa mesmo trocar de carro?

"- Mas e se você estiver errado e nada disso acontecer?". Bom, ao menos você não terá dívidas e terá  reservas no banco, estando pronto para o consumo num momento mais adequado, além de ter a sua saúde preservada por evitar aborrecimentos.




11 de jul. de 2012

Dilma, eu sei onde cortar custos!


Irineu Tolentino

Numa crise econômica, quando não é possível aumentar ou manter receitas, é fundamental cortar despesas.

Mas isso exige cautela. É preciso distinguir investimentos e custos necessários, daqueles desnecessários, que não passam de peso morto e só contribuem para o engessamento econômico.

Assim, diante do atual cenário global, onde grandes economias apanham sistematicamente das contingências - até os países integrantes do BRICS já sentem o efeitos do arrefecimento - o Brasil deveria começar a pensar em fechar as torneiras pingando para que tenha mais dinheiro disponível para os planos de estabilização e projetos de crescimento.

Uma redução nos custos de manutenção do Estado permitiria um repasse ou uma desoneração do contribuinte, que, forçosamente, refletiria de forma positiva na economia.

O vídeo abaixo, exibido pela rede Globo, dá uma boa dica de onde se deve começar os cortes. 



Imprevisibilidade econômica e investimentos


Luis Nassif

Apesar de todas as medidas adotadas pelo Ministério da Fazenda, a produção industrial patina. Qual a razão dos empresários não investirem? 

Ponto central é garantia de demanda futura. Ou seja, precisam acreditar que a demanda continuará crescente nos próximos anos para investir.

Para entender melhor os problemas, vamos dividir a demanda em vários subgrupos:

1. Demanda pública

Investimentos do PAC, das estatais e dos estados: não há falta de recursos financeiros, há lentidão na implementação de projetos.


"(...) um pouco de previsibilidade 
na política econômica 
ajudaria nos planos de investimento."
 

Algumas questões demandam apenas tempo: