15 de jan de 2013

O equivocado discurso sobre a água


Esse negócio de que devemos tomar banho de cinco minutos, não lavar o carro, a calçada e etc, em razão da escassez de água, parece-me bastante incoerente. É sério! Ainda não o entendi.

É claro que a água é o principal recurso de subsistência de todos os seres vivos. Sem ela já era! Morreremos mesmo!

Mas, há um certo exagero nessas afirmações de que devemos "racionar" urgentemente. Aliás, se dependermos uns dos outros estaremos  f#&!%*. Não quero depender da boa vontade do meu vizinho, ou do vizinho do meu vizinho, ou do primo do tio do amigo do dono do supermercado do meu bairro. Se o Estado detém o controle dos recursos, cabe a ele  controlá-los adequadamente. É para isso que voto.

Um racionamento de água (como de comida, energia, combustível, etc) será necessário no futuro sim, mas, como a torneira está nas mãos do Estado, esse não será o problema. É só ele fechá-la e pronto (aliás ele já fez isso antes e ninguém morreu). Se for o caso de termos água dia sim e dia não, beleza. Teremos que nos adaptar e vamos fazer isso de qualquer jeito. Tomaremos banho rápido, escovaremos os dentes com a torneira fechada, a barba poderá ser feita a seco e por aí vai. Portanto, é muito simples solucionar a questão do racionamento.

A questão preocupante, muito preocupante mesmo, que se encontra deslocada do discurso oficial - sabe-se lá por qual razão -, é a falta de cuidado com as fontes de água. Estas sim, não podem, em hipótese alguma, serem maltratadas como estão sendo.

Enquanto o governo se preocupa com o tempo do banho das pessoas, cidades inteiras estão despejando esgoto em rios e represas (ou seja, o próprio governo descuida daquilo que deveria cuidar). Andar por aí e ver esgotos não canalizados, ou, mesmo canalizados, tendo um rio ou represa como destino, faz doer o coração. Basta ver o caso de São Paulo: rio Tietê e Pinheiros. Estes rios estão na UTI (se é que ainda podemos chamá-los de rios).

A grande maioria do povo não vê isso. Outro tanto, que se informa um pouco, tem um contato indireto com esse fato. No mais, apenas 0,0001% da população tem contato direto ao percorrer rios e represas. Estes sentem na pele (e no nariz) o estrago que o governo está fazendo, seja por ação (despejo direto da captação pública), ou indireto (não fiscalizar o despejo de dejetos privados), já que é dele a responsabilidade de cuidar e regular o destino dos esgotos domésticos e industriais.

Então, meus amigos, vou continuar  tomando meu banho demorado e quentinho por muito tempo. Só não lavarei o carro com mais frequência porque tenho preguiça mesmo, seja em casa ou nos lava-rápidos (que, aliás, nunca são rápidos e nunca vi um trabalhar assim link ).

A propósito, sempre que falamos em escassez dos recursos, nenhum discurso sério  pode ignorar o crescimento populacional. Será que não há gente demais no mundo?

2 comentários:

  1. Bastante esclarecedor seu artigo. Parabéns! Se me permite acrescentar, é que nas grandes metrópoles onde o consumo fatalmente é maior, é onde vamos ver os rios agonizando, um esgoto a céu aberto.

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