22 de jan de 2013

Tem-bala no Brasil? Sou contra!



Desculpem-me. Não é que eu queira ser o chato da turma contrariando a ideia de avanço da nossa nação, é que não temos maturidade para isso ainda.

Olhem o caso de São Paulo, que se diz a locomotiva do Brasil. Aqui opera a CPTM. Apesar de todo o faturamento gerado (e olhe que ainda há faturamento perdido pela demanda reprimida), ela não consegue fazer funcionar decentemente nem o trem-lesma, quanto mais o trem-bala.

Temos uma rede ferroviária medíocre, que faz vergonha perante o México que sequer  integra o BRICS. Na vedade, nossa rede ferroviária faz vergonha a nós  mesmos, já que temos que integrar carro, trem e ônibus para chegarmos a regiões importantes do Estado, de forma cara e lenta, e isso em pleno o século XXI.

Mas, se por obra do destino, houver mesmo trem-bala no Brasil, acho que será assim: No primeiro dia uma beleza, presidente da república, ministros, governadores, uma infinidade de autoridades o estreariam com fogos e confetes. Uma maravilha.  Nos dias seguintes, após a acomodação das coisas e o retorno à nossa dura realidade, todo o glamour se arrefeceria.

Por vezes, ouviríamos a mensagem padrão CPTM: “Informamos que os intervalos entre as composições foram ampliados em razão de manutenção na rede, havendo lentidões ocasionais”.  A isso se seguiriam xingamentos e desespero por parte dos usuários:

- Que merda! Pago caro nessa b@$%* e nem assim essa p@$$& anda!

Como o tempo, acostumaríamos a esses intervalos alongados (brasileiro se acostuma com tudo mesmo).  Algumas semanas depois, haveria cartazes nas estações: “Nos dias 14, 15 e 16 o trem-bala não circulará devido à necessidade de manutenção na rosqueta da parafuseta”.

Alguns meses depois: “Em decorrência dos últimos acidentes, o funcionamento do trem-bala será suspenso por prazo indeterminado para aperfeiçoamento do sistema”.

Décadas  depois, os mais velhos falarão para os mais jovens:
- Antigamente existia trem-bala no Brasil...
- E por que não há mais?
- Foi suspenso para manutenção...

Infelizmente, no Brasil é assim: Vivemos consertando defeitos emergenciais, remediando; raramente nos esforçamos para evitá-los. Veja o caso das tragédias no Rio de Janeiro e Santa Catarina: nem consertamos os problemas de anos atrás, causados por previsíveis deslizamentos de terra, e já sobrevieram problemas novos (os EUA, China e Japão praticamente já se recuperaram de terremotos e furacões homéricos ocorridos posteriormente).

Nem das áreas-chave como saúde, educação e segurança, cuidamos direito. Só depois de tudo estar desgraçado é que ensaiamos algumas soluções...

Veja ainda o exemplo das linhas telefônicas e internet: Há alguns anos, ouvíamos na televisão “O Brasil terá internet 3G de alta velocidade. Agora poderemos transmtir dados, voz e vídeo em tempo real”. Apesar de toda essa propaganda, hoje, anos depois, mal conseguimos usar o telefone para conversar. É preciso sorte para falar sem que a ligação caia ou fique ruim... 3G lá fora é uma coisa, aqui é outra. Da mesma forma ocorrerá com o trem-bala. 

Portanto, definitivamente, de trem-bala no Brasil estou fora!  

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