4 de jun. de 2012

Redução dos Juros e Dívida Pública

A falácia do financiamento externo da dívida

Luis Nassif
  
Em artigo na Folha de São Paulo, o economista Luiz Carlos Mendonça de Barros elogia a decisão do Banco Central de trazer a taxa Selic para níveis minimamente civilizados.

Em fins de agosto, Luiz Carlos foi dos analistas que desancou a decisão do Banco Central de reduzir a Selic.

Na época, sofismou. Sustentou que o quadro internacional não tinha mudado tanto, quanto alegava o BC, para justificar a queda dos juros. Lançou suspeições sobre a decisão, insinuando que visaria beneficiar investidores que apostavam na queda dos juros.

Agora, muda de opinião.

3 de jun. de 2012

Economia: O que está havendo com o Brasil?

Irineu Tolentino

Dada a situação econômica pela qual  estamos passando, o cenário me convidou a fazer uma análise sobre o esfriamento brasileiro.

Aparentemente, eu estava meio distante dos assuntos econômicos. Mas é só aparentemente. Eu estou acompanhando tudo. É que, no que diz respeito ao Brasil, há temas siameses à Economia que me detiveram por alguns instantes (esclareço mais adiante).
 
Há pouco tempo, havia uma euforia muito grande com os BRICs e, de repente, as coisas foram esfriando, esfriando... Por quê?
Você encontrará por aí uma infinidade de analistas dizendo o que pensam sobre o  assunto com toda a autoridade possível. Nessas horas, lembro-me de Peter Lynch: "Ninguém pode prever as taxas de juros, a direção futura da economia e o mercado de ações. Esqueça todas essas previsões e se concentre no que realmente está acontecendo com as companhias nas quais você investiu” (Vocês me verão repetir muito essa frase neste blog, mas há uma razão para isso).

2 de jun. de 2012

Carta Capital x Veja: O Caso Gilmar


Irineu Tolentino

Gilmar Mendes (STF), ao que parece, queria criar "O Caso Lula"; mas, sua postura atrapalhada e extemporânea, acabou criando mesmo foi "O Caso Gilmar".

A Veja, também de forma atrapalhada e em sincronia com Gilmar, mostrou a famigerada versão da conversa que seu confitente teve com Lula, na presença do Ex-Ministro da Justiça, Ex-Presidente do STF e agora Advogado, Nelson Jobim: a única testemunha presencial dos fatos.

Reinaldo Azevedo (o blogueiro contratado da Veja), em longo texto, tentou fazer eco com a versão de Gilmar, porém sem sucesso.

Jobim desmentiu Gilmar e apoiou Lula. A opinião pública também o fez.

A revista Carta Capital, coloca em dúvida Gilmar Mendes.

O Ministro Marco Aurélio (STF), de forma bastante elegante e imparcial, como sempre, emitiu sua opinião apontando a falha dos três (vídeo), embora tenha afirmado textualmente que "É legítimo Lula opinar sobre julgamento do mensalão" (vídeo).

Bom, até agora, o saldo de tudo isso é que Gilmar saiu ferido e como potencial investigado, a revista Veja e o seu blogueiro Reinaldo Azevedo,  novamente, com a credibilidade e imparcialidade arranhadas.

O curioso é que a própria Veja, após o episódio, se autoproclamou vitoriosa (?!).

Não preciso falar mais nada, né? Aliás, nem convém, serei tachado como anti-Veja mesmo...

Dê uma "googlada" aí e tire suas próprias conclusões sobre o assunto. Eu já tenho a minha.

Fui!

Ferreira Gullar e a Poesia

Irineu Tolentino

É claro que a ironia de Ferreira Gullar sobre o valor da poesia - referida no post anterior - não me fez entendê-lo como um poeta sem valor. Ele está aí, há décadas, fazendo Literatura. É e deve ser respeitado por isso. Tem credenciais para tanto.

No primeiro vídeo abaixo, ele fala da poesia. Mas, nesse particular, com todo o respeito (talvez até por questão de gosto), ele não me impressiona. Admiro-o mais pelo que está fora dela: seu pensamento, sua personalidade, sua clareza, e, sobretudo, sua sinceridade.

No segundo vídeo, ele passa pela religião e pela filosofia de forma magistralmente humana e sincera. Não entro no mérito se ele está certo ou errado. Gosto da forma como ele vê esses temas e o próprio ser humano.

Poesia à parte - embora ele a tenha elegido como sua forma preferida de se comunicar com o mundo - eu o classifico mais como um intelectual. Um ser humano autêntico, inteligente e genuíno.







1 de jun. de 2012

Pô, Ferreira Gullar!


Irineu Tolentino

Numa ironia discreta, Ferreira Gullar disse que "poesia não tem valor no mercado". Será?

Eu tenho minhas dúvidas. Acho que  todo tipo de arte tem seu lugar no mundo. Da pintura à escultura, da música à literatura (incluída aí a poesia)... Não estou, de forma alguma, desmerecendo Gullar. Não é nada disso, até porque, gosto muito dele!

A arte está é divorciada do mundo, principalmente, dos acontecimentos políticos e transformações sociais. Falta sintonia. Músicas como as de Renato Russo e Cazuza não surgem mais. O que surge hoje passará junto com as dancinhas de Neymar.

Aqui no Em Tese, eu já havia comentado sobre isso em Cadê os artistas? Tive que concluir que eles estão dormindo. É por isso que a arte, de maneira geral, não tem valor no mercado. Ela não nos provoca mais!

Veja, por exemplo, Gregório de Matos Guerra, poeta baiano (1636-1695), alcunhado de "Boca do Inferno"... Ele definiu sua "cidade" poeticamente, do jeito dele. Até hoje Gregório de Matos é lido, relido e estudado...

"De dois ff se compõe
esta cidade a meu ver:
um furtar, outro foder.

Recopilou-se o direito,
e quem o recopilou
com dous ff o explicou
por estar feito, e bem feito:
por bem digesto, e colheito
só com dous ff o expõe,
e assim quem os olhos põe
no trato, que aqui se encerra,
há de dizer que esta terra
de dous ff se compõe.

Se de dous ff composta
está a nossa Bahia,
errada a ortografia,
a grande dano está posta:
eu quero fazer aposta
e quero um tostão perder,
que isso a há de perverter,
se o furtar e o foder bem
não são os ff que tem
esta cidade ao meu ver.

Provo a conjetura já,
prontamente como um brinco:
Bahia tem letras cinco
que são B-A-H-I-A:
logo ninguém me dirá
que dous ff chega a ter,
pois nenhum contém sequer,
salvo se em boa verdade
são os ff da cidade
um furtar, outro foder".

Por que, hoje, ninguém quer escrever, pintar, esculpir ou musicar Brasília? Cadê os artistas?