11 de mai. de 2012
Carta aberta ao Ministro Ayres Brito
Em respeito ao STF, fechei o post para comentários (no blog fonte: http://bit.ly/LeBO4y).
Ministro Ayres Brito,
Em que mundo o senhor vive? O senhor tem feito o jogo do jornalismo mais vergonhoso que já se praticou no país, usurpado os direitos de centenas de pessoas que buscavam na Justiça reparação contra os crimes de imprensa de que foram vítimas. E não para, não se informa, não aprende, não consegue pisar no mundo real, dos fatos.
No poder judiciário, o senhor tornou-se o principal responsável pelo aprofundamento inédito dos vícios jornalísticos. Sua falta de informação, sua atração pelo aplauso fácil, fez com que olhasse hipnotizado para os holofotes da mídia e, ao acabar com a Lei de Imprensa sem resolver a questão do Direito de Resposta, deixasse de cumprir seu dever constitucional de zelar pelos direitos individuais de centenas de vítimas de abusos da imprensa.
Centenas de pessoas sendo massacradas pelo jornalismo difamatório e o senhor ainda vem com essa história de defender a mídia das decisões de juízes de primeira instância.
Tomo meu caso.
Por conta das ligações de Roberto Civita com Daniel Dantas, fui alvo de ataques difamatórios da revista Veja. Entrei com direito de resposta na Vara de Pinheiros. Caiu com a juíza Luciana Novakoski Ferreira, uma magistrada sem nenhuma sensibilidade para com a reputação alheia, capaz de considerar como meras ironias os piores ataques difamatórios.
A juíza alegou que a inicial de meu advogado estava incorreta, por não especificar os crimes cometidos pela revista. Com toda a bagagem, de juíza de inúmeras ações de Direito de Resposta contra a Veja, ela não sabia que Direito de Resposta não exige especificação de crime – cuja tipificação entra em outro tipo de ação.
O advogado apelou para a Segunda Instância e, por unanimidade, os desembargadores determinaram que voltasse para a Vara de Pinheiros e que a juíza proferisse sua sentença – fundamental para dar andamento à ação.
A juíza recusou-se outra vez, e aí recorrendo ao álibi Ayres Brito: alegou que a Lei de Imprensa tinha revogado o Direito de Resposta. Volta para a Segunda Instância que, por unanimidade, constata o óbvio: o direito de resposta é norma constitucional.
Volta para a juíza, a esta altura com 3 anos de atraso. E ela alega que o STF eliminou a lei de imprensa e não regulamentou novo procedimento. E que não cabia a um juizado criminal apreciar a ação.
Agora os advogados da Abril pedem a anulação da ação alegando que, devido ao tempo decorrido, não há mais o que reparar.
Aí tenta-se a Vara da Freguesia do Ó para outras ações contra a Abril. Mais de dois anos e não chegou sequer às mãos dos juízes, que fogem de casos de mídia como o diabo da Cruz. E vem o senhor defender o mau jornalismo do quê?
Repito: o senhor é responsável direto pelo aumento do descalabro da mídia, os assassinatos de reputação que pegavam indistintamente culpados e inocentes, que arrasaram com a vida de centenas de pessoas. Não extirpou o Direito de Resposta, porque é norma constitucional. Mas fez pior: anulou um direito constitucional, sentando em cima do vácuo da lei.
O senhor não entendeu que, ao contrário do que propaga, a mídia não precisa ser defendida do Judiciário; é o Judiciário que precisa ser defendido do mau jornalismo. Ele intimida e corrompe. Intimida com ataques e dossiês; corrompe ao oferecer visibilidade a magistrados de espírito fraco.
O senhor deveria por um minuto sair de sua redoma, de seu mundo do faz-de-conta e passar o que passaram as vítimas desse jornalismo, testemunhar o abalo que esses ataques produziram em famílias, em mães, filhos, avós, entender por um minuto sequer o sentimento de indignação e impotência de ver direitos básicos sendo pisoteados a cada ataque difamatório sem que a Justiça se manifeste. E, depois, olhar para a esperança de justiça – o Supremo Tribunal Federal – e se deparar com o senhor, com sua insensibilidade e desinformação.
Por tê-lo como desinformado, não desejo para o senhor um centésimo do que esses assassinos de reputação provocaram em centenas de vítimas.
Se tiver estômago, se não afetar sua alma poética, leia parte dos ataques que Roberto Civita encomendou a seus jagunços: está aqui no endereço https://sites.google.com/site/luisnassif02/acaradaveja
Luiz Nassif x Revista Veja
Acabo de receber de meu advogado Marcel Leonardi cópia da sentença do
juiz Gustavo Dall'olio, da Vara Civel de Pinheiros, condenando a
Editora Abril a me conceder Direito de Resposta na revista Veja, em
vista do ataque sofrido na coluna de Diogo Mainardi.
No desabafo de ontem, mencionei as enormes dificuldades de ver o caso
julgado pela juiza Luciana Novakoski Ferreira, da vara criminal de
Pinheiros. Com o fim da Lei de Imprensa, a demanda passou para a Vara
Civel e obteve julgamento rápido e uma sentença objetiva do juiz
Dall'olio.
Caso não publique a resposta, a Abril se sujeitará a multa de R$
500.000,00. É certeza que a Editora recorra e postergue por mais alguma
tempo. Mas pelo menos mostrou que há juízes e juízes, assim como
advogados e advogados.
Foram quatro anos de luta. Neste momento meus agradecimentos
profundos à competência e coragem do advogado Marcel Leonardi, jovem e
talentoso advogado que honrou seu diploma. Em outras ações, fui
praticamente abandonado pelo escritório McDowell, Barbosa, Gasparian,
temeroso de perder espaço junto à mídia.
Agradecimento também a todos vocês que, na fase mais dura dessa luta,
apoiaram com um carinho comovente. E, lógico, à minha família.
Veja a sentença aqui: http://slidesha.re/KtXpXb
Dilma x Bancos
Irineu Tolentino
Se for possível, neste momento, evitem os empréstimos e financiamentos bancários. Os juros irão cair mais ainda!
Quando o governo deixou registrado que a poupança só iria pagar 70% da taxa básica de juros (selic) se esta for inferior a 8,5%, é porque já pavimentou o caminho para esse novo cenário.
É muito provável que irá haver uma queda nos juros para baixo dos 8,5%, alterando a remuneração da poupança (anotem isso e me cobrem depois). Tanto é verdade, que os bancos estão se apressando em captar clientes na taxa atual, "cobrindo ofertas" dos concorrentes. Eles sabem que as taxas serão menores em breve.
O Brasil irá caminhar para juros civilizados daqui para a frente, irá competir com as taxas praticadas pelos demais países (e olha que tem alguns com taxas próximas de zero).
Não adianta os bancos (orquestrados ou não pela Febraban), gritarem. O mundo mudou, a economia se globalizou, o Brasil não aguenta mais pagar juros extorsivos, o ingresso de capital estrangeiro especulativo e manobras que inflam a economia financeira para além da economia real.
A Dilma já enfrentou a Ditadura quando era uma menina "desamparada politicamente". Nessa época, seus colegas de militância já diziam que ela "tinha desenvoltura e grande capacidade de liderança, impondo-se perante homens acostumados a mandar". Imaginem se agora, sendo Presidente (ou Presidenta, como queira) não enfrentará os bancos... Estes terão que se acostumar a trabalhar num novo cenário (de novo),da mesma forma que tiveram que aprender a trabalhar num Brasil com baixa inflação ao sairmos de um cenário de hiperinflação.
Não sou petista, mas gosto dessa mulher!
Se for possível, neste momento, evitem os empréstimos e financiamentos bancários. Os juros irão cair mais ainda!
Quando o governo deixou registrado que a poupança só iria pagar 70% da taxa básica de juros (selic) se esta for inferior a 8,5%, é porque já pavimentou o caminho para esse novo cenário.
É muito provável que irá haver uma queda nos juros para baixo dos 8,5%, alterando a remuneração da poupança (anotem isso e me cobrem depois). Tanto é verdade, que os bancos estão se apressando em captar clientes na taxa atual, "cobrindo ofertas" dos concorrentes. Eles sabem que as taxas serão menores em breve.
O Brasil irá caminhar para juros civilizados daqui para a frente, irá competir com as taxas praticadas pelos demais países (e olha que tem alguns com taxas próximas de zero).
Não adianta os bancos (orquestrados ou não pela Febraban), gritarem. O mundo mudou, a economia se globalizou, o Brasil não aguenta mais pagar juros extorsivos, o ingresso de capital estrangeiro especulativo e manobras que inflam a economia financeira para além da economia real.
A Dilma já enfrentou a Ditadura quando era uma menina "desamparada politicamente". Nessa época, seus colegas de militância já diziam que ela "tinha desenvoltura e grande capacidade de liderança, impondo-se perante homens acostumados a mandar". Imaginem se agora, sendo Presidente (ou Presidenta, como queira) não enfrentará os bancos... Estes terão que se acostumar a trabalhar num novo cenário (de novo),da mesma forma que tiveram que aprender a trabalhar num Brasil com baixa inflação ao sairmos de um cenário de hiperinflação.
Não sou petista, mas gosto dessa mulher!
10 de mai. de 2012
Um dia você aprende
Para quebrar um pouco o gelo deste blog "frio e calculista", resolvi convidá-lo(a) a um deleite.
Até porque, como ensinado por Leonardo Boff, os valores que sustentam a vida humana não passam pela economia; se passassem, a felicidade e o amor estariam à venda nos bancos.
Foi por essa razão, que, hoje, convidei William Shakespeare para participar conosco, o qual se "manifestou" através do texto homônimo a este post (em uma "tradução modernizada", por Veronica A. Shoffstall), cujo texto situa-se entre os mais divulgados na internet. Ele toca as pessoas como nenhum outro, perfura a alma humana como um cirurgião ao corpo de um paciente.
Tão belas e profundas são as palavras desse, digamos, Dramaturgo-Psicólogo, conhecedor íntimo da alma humana, que, vez por outra, torna-se obrigatório visitá-lo...
Talvez assim, da mesma forma que o dramaturgo inglês, de tanto ser surrado pela vida e enfrentar os infortúnios que ela colocou no seu caminho... um dia você aprende...
Um dia você aprende...
9 de mai. de 2012
Como operava o esquema Cachoeira
Luis Nassif
Pelas primeiras avaliações dos parlamentares que compõem a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) funcionava assim a associação criminosa entre o bicheiro Carlinhos Cachoeira e a construtora Delta.
1. A Delta se habilitava a uma licitação na qual houvesse garantia de aditamento do contrato (isto é, de reajuste posterior do contrato).
2. Tendo essa garantia, apresentava um preço imbatível, muitas vezes inexequível. No caso do aeroporto de São Paulo, por exemplo, o maior lance foi de R$ 280 milhões. A Delta apresentou uma proposta de apenas R$ 80 milhões.
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