8 de mai de 2013

Afif Domingos e a onipresença

A recente nomeação de Guilherme Afif Domingos para a Secretaria da Micro e Pequena Empresa do governo federal (sem que ele deixe de ser vice-governador de São Paulo), cria uma situação extremamente inusitada: um homem jogando ao mesmo tempo em dois times adversários (?).

Na Física, há uma lei que diz que "dois corpos não ocupam o mesmo lugar no espaço". Logo, não seria exagero dizer, que um corpo não pode ocupar dois lugares no espaço, pois ele não tem o dom da onipresença.

É óbvio que Afif consultou sua assessoria jurídica e deve ter encontrado alguma lacuna legal que lhe "permita" tal intento. Aliás, quando se fala em interpretar leis, mesmo tecnicamente, sempre é possível encontrar interpretações divergentes igualmente razoáveis. A tese e a antítese, via de regra, subjazem a qualquer coisa. Basta um pouco de paciência, percuciência e alguns livros.

Mas, será que do ponto de vista moral, ou mesmo do povo, isso é correto?

A função de um vice não é acompanhar o titular e estar sempre atento às ocorrências para poder substituí-lo em qualquer eventualidade?  Qual a justificativa para Afif  permanecer em Brasília, à disposição do governo federal, se o Estado de São Paulo lhe paga para trabalhar aqui como vice-governador? Como alinhar essa situação aos interesses da fazenda pública do Estado de São Paulo?

Acho bacana a ideia do "dar-se as mãos em prol de objetivos comuns", a cultura da paz e da primazia do interesse público, mas, sinceramente, não sinto isso nesse caso. Parece-me que se trata mesmo é de burla ao espírito da lei e do bom senso.

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